O que é dislexia?

Dislexia e outros transtornos específicos de aprendizagem para pais e educadores

A dislexia é uma condição neurobiológica ligada à habilidade de aprendizagem – leitura e escrita – que, apesar de se tornar mais evidente quando a criança inicia o período escolar, ocorre desde os primeiros anos de vida, pois é causada por alterações na formação neurológica, que podem ser relacionadas à origem genética.

Como trata-se de uma condição cerebral especial que dificulta a aprendizagem de quem nasce com ela (mas não a impede), a comunidade científica define a dislexia como um transtorno específico de aprendizagem (TEAp), assim como a disortografia e a discalculia.

A dislexia é caracterizada por um baixo desempenho na precisão e na velocidade da leitura e escrita que persiste apesar do bom nível intelectual, da ausência de déficits sensoriais e das adequadas oportunidades de aprendizagem recebidas. Por ser uma condição associada à constituição cerebral, a dislexia não tem cura, mas a partir da identificação e das intervenções nas dificuldades é possível alcançar um desenvolvimento adequado nas habilidades escolares e na vida, de modo geral. A dislexia dificulta a aquisição de informações por quem convive com essa condição, uma vez que a principal forma de transmissão de conhecimento na sociedade contemporânea é a leitura e a escrita.

COMO É FEITO O DIAGNÓSTICO?

Quando a dificuldade para o aprendizado da leitura e da escrita é identificada, a criança deve ser encaminhada para uma avaliação multidisciplinar. Essa avaliação é realizada por uma equipe composta por profissionais de diversas especialidades e, e deve conter, no mínimo, um psicólogo (ou neuropsicólogo), um fonoaudiólogo, um psicopedagogo e um médico neuropediatra.

Esta equipe multidisciplinar deve atuar de forma integrada, investigando e relacionando os diferentes aspectos envolvidos no processo de aprendizagem. O trabalho integrado é diferente da soma de avaliações separadas, pois, sem a troca de informações, os profissionais geram avaliações isoladas e parciais, que não representam o conjunto das habilidades e dificuldades daquela determinada criança.

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QUAIS SÃO OS IMPACTOS DA DISLEXIA NA VIDA?

Muitos disléxicos passam por situações de preconceito e bullying, o que geralmente acontece quando os sinais de dislexia não são identificados nos primeiros anos escolares. Não é raro se deparar com situações onde as pessoas com essa condição são chamadas de “burras”, “preguiçosas” ou em que são mal interpretadas por não conseguirem acompanhar as atividades escolares ou profissionais no mesmo ritmo que seus colegas.

A falta de conhecimento da sociedade – pais, professores, empregadores e cidadãos – afeta a autoestima de crianças, jovens e adultos disléxicos, gerando falta de confiança, ansiedade e até mesmo a depressão em casos extremos.

Quanto mais precoce for o diagnóstico, menores serão os impactos negativos na vida da pessoa disléxica. Não existe receita de bolo, mas a integração de ações na família, na escola e de especialistas da área de saúde são de extrema importância para que o indivíduo se desenvolva e supere suas dificuldades. E intervenções terapêuticas e educacionais adequadas podem sim minimizar as dificuldades, e melhorar o desempenho em leitura e escrita.

 

O DISLÉXICO PODE TER UMA VIDA NORMAL?

Sim! Apesar de persistente, a dificuldade com a leitura e a escrita varia de acordo com a demanda dessas atividades ao longo da vida, bem como com a oferta de intervenções adequadas para propiciar um bom desenvolvimento. Como os disléxicos têm uma maneira diferente de processar as informações, geralmente desenvolvem estratégias próprias, bastante criativas para compensar as dificuldades e se superar. Um exemplo disso, são grandes personalidades que se destacaram na história mesmo convivendo com a dislexia como Leonardo da Vinci, Thomas Edison (inventor da lâmpada), John Lennon, Tom Cruise, Walt Disney, entre tantos outros.

A DISLEXIA NO BRASIL

A dislexia é um transtorno específico de aprendizagem reconhecido pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB – Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996). Ela ocorre em aproximadamente 4% da população brasileira, o que, segundo o Censo do IBGE de 2010, equivale a 7,8 milhões de pessoas.

No entanto, não existe uma política nacional especialmente elaborada para promover a identificação e acompanhamento de alunos com transtornos específicos de aprendizagem (salvo algumas legislações municipais e estaduais isoladas) e, quando uma criança apresenta sinais de dislexia, educadores e familiares muitas vezes não sabem o que fazer para obter diagnóstico e acompanhamentos adequados.

Muitas pessoas sequer conhecem o termo dislexia, ou sabem vagamente do que se trata, por isso contribuem para a propagação de informações errôneas e de preconceito para com disléxicos, provocando sofrimento em crianças e seus familiares, comprometendo assim a autoestima e o bem-estar de milhões de brasileiros.

 

O INSTITUTO ABCD E A DISLEXIA

Desde 2009, o Instituto ABCD se dedica a gerar, promover e disseminar projetos de impacto positivo na vida de brasileiros com dislexia e outros transtornos específicos de aprendizagem. Conheça o nosso trabalho!

 

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